Quando percebi que não tinha o controle sobre as coisas

Quando percebi que não tinha o controle sobre as coisas

Nem tentar, nem desistir. Eu simplesmente não conseguia fazer nada. Muitas vezes questionava a mim mesma sobre o significado da vida. Pra que viver? Por que sofrer? Vale a pena?

Eu achava que tudo era um disfarce. A felicidade era um disfarce. Até o amor pra mim, se tornou contestável e doloroso. Os pensamentos são confusos, e passou a me assustar não conseguir ter o brilho de planejar coisas, de ficar ansiosa por uma viagem ou até mesmo viver paixonites de adolescente. Foi complicado.

O primeiro tombo veio quando eu tive meu primeiro namorado. Ele era o mais popular da escola e eu a menos popular, claro. Não é historinha bonita, foi verdade! Ele tinha uma namorada e ela foi minha colega de classe durante 2 longos anos. Me perseguia a todo instante e quando chegou um belo dia, ficou com quem era, na época, o meu namorado. Foi uma dor que jamais senti na minha vida. A minha primeira traição.

A vida seguiu e um tempo depois, veio meu segundo namorado. Ele também me traiu, na minha festa da escola, na frente de todos os meus colegas e do meu ex-namorado, aquele que também havia me traído. E a vida continua seguindo.

Depois de um bom tempo, resolvi namorar novamente. Terminei por que não era amor, pelo menos não da minha parte. Dias depois, comecei outro relacionamento. Não me julgue.

Estou neste relacionamento até hoje e digo que aprendi a lot com ele. Continuo aprendendo e digo que não quero parar de aprender. Como todo relacionamento sério, há muito sentimento envolvido e digo que sofri bastante com isso. A vida segue, porém…

Perdi meu pai.

Eu me perdi por algum tempo. Estava no início do segundo semestre do terceiro ano do ensino médio e juro que não sei o que aconteceu até o final do ano. Não consigo lembrar de nada, pra falar a verdade. Aquilo sim foi dor.

Havia dias que eu não conseguia respirar direito. Havia dias que cada lembrança era surreal. Os dias eram estranhos, eu não acreditava em mais nada. Quando comecei a sair, as coisas ficavam ainda piores. Eu encontrava ele nos mínimos detalhes, no cheiro do perfume que ele usava, em um jeito de andar, uma risada similar, a semelhança física e nas músicas que ele ouvia. Para onde eu olhava, o enxergava. Se eu fechava os olhos, sentia seu cheiro.

Conviver com as pessoas da minha família era doloroso. O olhar dessas pessoas para mim era pior ainda. Perceber sussurros pelos cantos sobre o que havia acontecido, ou ouvir de amigos que eles sentiam pelo que aconteceu, quando tudo que você não queria ouvir era esse tipo de coisa. Foi muito doloroso.

Foi ainda mais doloroso perceber que aquilo não foi um pesadelo. Que ele não responderia as minhas perguntas e que teria que conviver com elas. Foi deprimente não ter ninguém que me entendia. Que mesmo contando a mesma história várias vezes, só era vista como a menina que perdeu o pai.

Pior foi quando chegou o dia do meu aniversário. Ou ao lembrar cada vez que meu melhor amigo foi embora sem nem me dizer um até logo. Nem um abraço. Como isso doeu. Mas, a vida segue e como segue. Se você não acompanhar o ritmo dela, ela segue sem você.